Esta exposição parte de uma glosa paródica ao Apocalipse do Lorvão (1189), famoso livro românico com o qual a artista, através de várias séries, comenta a atual saturação mediática e de signos da «pós- Verdade»: Redes Sociais, um ato demorado de apagamento ou construção abstrata de páginas do Apocalipse do Lorvão; Imprensa,
croquis automáticos que captam figuras as figuras do livro do Lorvão, em paródia às velocidades contemporâneas; Capitulares e Marginália, exercícios de corporalização física da inscrição das iniciais do livro do Lorvão; Dados pessoais, livrinhos feitos a partir de antigas listas telefónicas, jogando entre público e privado; Fait divers, uma ampliação de acidentes das páginas, como signos de marcas do tempo; Propaganda, cópias distorcidas do livro do Lorvão, como deformações da realidade e dos factos; as instalações Manipulação (TV e Rádio), com elementos suspensos, manipulados como marionetas, e Fragmento, uma fake news simulando a redescoberta de um fragmento perdido do Foral de Faro e a sua notícia. Estas séries concatenam uma sátira a este tempo onde a Verdade deixou de ser verificável, perdida na própria amálgama de signos e mediações (excerto do texto escrito por Fernando Rosa Dias para a exposição).
This exhibition unfolds from a parodic gloss on the Apocalypse of Lorvão (1189), a renowned Romanesque manuscript through which the artist, across several series, reflects on the contemporary saturation of
media and signs characteristic of the so-called “post-truth” condition. Social Networks consists of a prolonged act of erasure or abstract construction of pages from the Apocalypse of Lorvão. Press brings together automatic sketches that capture figures from the Lorvão manuscript, parodying contemporary speeds of circulation and
consumption. Capitals and Marginalia are exercises in the physical embodiment of the inscription of the manuscript's initials. Personal Data comprises small booklets made from old telephone directories, playing with the tension between the public and the private. Fait Divers enlarges accidents and blemishes from the pages, read as signs and traces of time. Propaganda presents distorted copies of the Lorvão manuscript, evoking deformations of reality and fact. The installations Manipulation (TV and Radio), with suspended elements handled like marionettes, and Fragment, a fake news piece simulating the rediscovery of a lost fragment of the Charter of Faro and its media coverage, complete the ensemble. Together, these series articulate a satire of a time in which Truth has ceased to be verifiable, lost within the very amalgam of signs and mediations that claim to represent it. (excerpt from the text written by Fernando Rosa Dias for the exhibition).